
As mudanças climáticas já fazem parte da realidade de diferentes regiões do mundo e seus efeitos vêm sendo percebidos também na Bahia. O aumento de eventos extremos, como períodos de seca prolongada, enchentes e processos de erosão costeira, tem chamado a atenção para a necessidade de ampliar ações de prevenção e adaptação.
No Brasil, o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março, busca justamente estimular o debate público sobre o tema e reforçar a importância de políticas ambientais voltadas à proteção dos ecossistemas e à redução dos impactos do aquecimento global.
A discussão sobre os desafios impostos pelas mudanças climáticas também foi destaque no V Seminário Internacional sobre Prevenção, Monitoramento e Combate aos Incêndios Florestais, realizado em Salvador. O evento foi promovido pela Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), em parceria com a Bracell Bahia e a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), e já se consolidou como o maior seminário realizado de forma contínua no país dedicado ao tema.
O encontro reuniu especialistas, gestores públicos, pesquisadores e brigadistas para compartilhar experiências e discutir estratégias voltadas à prevenção e ao combate aos incêndios florestais, fenômeno que tem sido intensificado pelas mudanças no clima.
Impactos do clima já são percebidos na Bahia
O diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Tiago Porto, destacou que os efeitos das mudanças climáticas já podem ser observados em diferentes regiões do estado. “É uma realidade para a Bahia que os efeitos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos com episódios climáticos extremos. Aumento de episódios de secas extremas e prolongadas, episódios de enchentes e erosão costeira em vários municípios costeiros”,
Segundo Tiago Porto, esses impactos também atingem diretamente atividades econômicas e infraestrutura. “Já tem evidência de redução de precipitação para algumas regiões, com consequente redução da produtividade agrícola, de animais e também de culturas vegetais, além de danos à infraestrutura, como estradas.”
O diretor também destacou que o Nordeste está entre as regiões mais vulneráveis aos efeitos da crise climática. “O Nordeste, de forma geral, é responsável por cerca de 50% dos episódios que acontecem no Brasil. É uma região que já está atualmente sofrendo os impactos e com projeção de intensidade acima da média nacional.”
O diretor destaca ainda que o planejamento ambiental precisa considerar ações voltadas tanto à mitigação quanto à adaptação às mudanças climáticas. “Os principais desafios são estruturar ações de enfrentamento, tanto de mitigação, que é basicamente a mudança do uso dos recursos naturais para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, quanto de adaptação, que significa buscar formas mais viáveis de viver nesse planeta.”
O biólogo da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), Guido Brasileiro, detalhou sobre a construção do Plano de Ação Climática do estado, que reúne estratégias voltadas ao enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. “O plano de ação climática é um plano pensado em ensinar alguns problemas do Estado. Ele será mais um plano norteador com ações voltadas para mitigação e adaptação climática. Vai fazer um arcabouço de todos esses planos, de todas essas ações, para reduzir, tornar a Bahia um pouco mais resiliente.”
Segundo Guido Brasileiro, o plano está sendo estruturado em diferentes etapas. “Ele foi um plano pensado em três passos. O primeiro passo mais simples, a construção de um plano de trabalho. O segundo passo é um produto de uma revisão de todos os instrumentos de política pública, instrumentos de programas, vários instrumentos do governo do Estado que têm relação direta com a pauta climática.”
Guido também destacou que a etapa final será a consolidação do plano estadual. “O terceiro passo é um produto, que é o plano de mudanças climáticas em si, que é pensado em estruturação de um plano que tem ações com eixos específicos, hoje pensando em eixos de oceano, eixos de governança, eixos voltados para povos e comunidades vulneráveis.”
Incêndios florestais exigem atenção
As mudanças no clima também influenciam diretamente a ocorrência de incêndios florestais. Períodos de estiagem mais prolongados e temperaturas elevadas deixam a vegetação mais seca, aumentando o risco de propagação do fogo. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que a Bahia registrou mais de 3 mil focos de incêndio em 2024, com maior concentração na região Oeste do estado.
Para acompanhar essas ocorrências, o monitoramento é realizado por meio de satélites capazes de identificar focos de calor, tecnologia que permite localizar áreas com presença de queimadas ou incêndios florestais. Apesar dos desafios, ações de prevenção têm contribuído para reduzir o número de ocorrências. Dados do Programa Bahia Sem Fogo indicam uma redução de cerca de 33% nos focos de calor registrados no estado em 2024 em comparação com o ano anterior, resultado atribuído ao fortalecimento das ações de monitoramento, capacitação e atuação integrada entre diferentes instituições.
Atuação integrada
Criado em 2010, o Programa Bahia Sem Fogo reúne órgãos estaduais e parceiros institucionais em ações de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais.
Durante a abertura do seminário, a chefe de gabinete da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e presidente do Comitê Estadual de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, Daniella Fernandes, destacou a importância da atuação conjunta entre diferentes instituições.
“O Bahia Sem Fogo é um programa que vem quebrando paradigmas justamente por ser baseado na ação integrada entre os órgãos do Estado, municípios e brigadas voluntárias. Os incêndios florestais não podem ser combatidos por um único ente. É uma ação que depende da sociedade, dos brigadistas, do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Sema e do Inema.”
Participam do programa instituições como o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, a Defesa Civil e a Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa), além de brigadas voluntárias e organizações parceiras.
Conscientização e participação da sociedade
Especialistas destacam que enfrentar os impactos das mudanças climáticas exige o envolvimento de diferentes setores da sociedade. Além de políticas públicas e investimentos em monitoramento ambiental, a participação da população também é considerada fundamental.
Evitar queimadas irregulares, preservar áreas naturais e utilizar os recursos naturais de forma responsável são algumas das atitudes que contribuem para reduzir os impactos ambientais e proteger os ecossistemas.
Fonte: Ascom/Inema