O trabalho conjunto das Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica foi decisivo para esclarecer a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana e levar à prisão preventiva do tenente-coronel investigado pelo crime . O mandado de prisão contra ele foi cumprido nesta quarta-feira (18), em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
Durante coletiva de imprensa realizada na Secretaria da Segurança Pública (SSP), as autoridades destacaram que a atuação integrada das forças de segurança permitiu reunir, em 30 dias, elementos técnicos e investigativos que afastaram a hipótese inicial de suicídio, versão sustentada pelo oficial desde o início da apuração.
“As investigações constataram inconsistências significativas quanto à conduta do investigado após o disparo da arma até a formalização da ocorrência, o que comprometeu a versão apresentada inicialmente pelo tenente-coronel de que a vítima, uma soldado da Polícia Militar, teria tirado a própria vida”, explicou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
As apurações envolveram a análise de depoimentos, celulares, imagens, laudos periciais e informações compartilhadas entre a Polícia Civil, por meio do 8º Distrito Policial, no Brás, responsável pelo registro do caso, a Corregedoria da Polícia Militar , o Instituto de Criminalística e o Instituto Médico Legal, da Polícia Técnico-Científica.
Com esse trabalho, foi possível identificar divergências entre as declarações prestadas pelo investigado, especialmente em relação à dinâmica dos fatos, ao relacionamento do casal e à conduta adotada após o disparo da arma até o registro da ocorrência. De acordo com as autoridades, essas inconsistências comprometeram a credibilidade da versão apresentada.
Segundo o secretário-executivo da SSP, coronel Henguel Ricardo Pereira, a principal preocupação das equipes desde o início foi não se precipitar em relação às conclusões, mas conduzir um trabalho técnico, com coleta de depoimentos e produção de provas periciais, que não deixasse dúvidas sobre a autoria do crime. “Tudo isso subsidiou a prisão do tenente-coronel”, afirmou.
As provas periciais e médico-legais analisadas indicaram a inviabilidade da hipótese de suicídio e apontaram indícios de alteração do local do crime. O conjunto probatório foi essencial para subsidiar o pedido de prisão.
“Coube à Polícia Técnico-Científica, por meio da coleta de vestígios, apresentar provas contundentes que abasteceram e forneceram à Polícia Civil os elementos necessários para o pedido de prisão à Justiça”, destacou o superintendente da Polícia Técnico-Científica, Claudinei Salomão.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pela Justiça Militar e cumprido por equipes da Corregedoria da PM, com acompanhamento da Polícia Civil. O oficial foi preso na residência onde estava, em São José dos Campos, e foi encaminhado à capital paulista, onde permanecerá à disposição da Justiça no Presídio Militar Romão Gomes.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel José Augusto Coutinho, afirmou durante a coletiva que a prisão demonstra a imparcialidade do trabalho policial. “Independentemente de o autor ser um tenente-coronel ou ocupar qualquer outro posto, ele receberá o mesmo tratamento, porque cometeu um crime”, pontuou.
“Foram produzidas provas pelas Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, e eu posso garantir que esse foi o menor prazo possível para a decretação da prisão em um caso tão complexo como esse. Foi com essas provas que subsidiamos o Ministério Público para o oferecimento da denúncia”, completou o delegado-geral de Polícia, Artur Dian.
As autoridades também ressaltaram que a investigação prossegue para o aprofundamento das diligências e a conclusão dos procedimentos em andamento.
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