
Como parte das comemorações ao Dia Mundial da Água celebrado neste domingo, 22 de março, a Embasa realiza na próxima terça-feira (24), um encontro reunindo lideranças institucionais, equipe técnica e convidados visando fortalecendo o debate sobre práticas sustentáveis e reflexões sobre o papel da água como bem público essencial e os desafios relacionados à segurança hídrica. O evento será realizado a partir das 9h, no Parque da Embasa no Lucaia (Rio Vermelho).
Entre as discussões, destaque para a ampliação da estratégia de segurança hídrica da empresa, que conta com investimentos da ordem de R$ 23 milhões, voltados ao monitoramento e à gestão dos mananciais utilizados em sua área de atuação. O conjunto de iniciativas busca fortalecer a capacidade de resposta da empresa diante dos impactos das mudanças climáticas, como a irregularidade das chuvas, eventos extremos e pressão crescente sobre os recursos hídricos. A estratégia está baseada na ampliação do monitoramento, no uso de tecnologias avançadas e na geração de dados hidrológicos e operacionais qualificados para suporte à tomada de decisão.
Para o biólogo Fabrício Tourinho, gerente socioambiental da Embasa, o avanço das mudanças climáticas se coloca atualmente como o principal desafio para as companhias de abastecimento. “Nesse cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos, torna-se fundamental o apoio da tecnologia para minimizar os impactos destes eventos, que exigem adaptação contínua das empresas de saneamento”, destaca.
O cenário recente reforça a importância desses investimentos. No início de fevereiro, por exemplo, fortes chuvas associadas à passagem de uma frente fria provocaram impactos operacionais em diversos sistemas de abastecimento no interior da Bahia. Houve interrupções temporárias no fornecimento de água em municípios de diferentes regiões em função de alterações na qualidade da água bruta, alagamentos em estruturas operacionais e danos em equipamentos e redes de distribuição.
“A recorrência desses eventos evidencia a crescente exposição dos sistemas aos riscos climáticos e reforça a necessidade de aprimoramento contínuo da gestão operacional”, frisa.
Principais linhas de ação | Dentre os projetos em curso, a Embasa está desenvolvendo a modelagem hidrodinâmica e de qualidade da água das barragens de Pedra do Cavalo (foto) e Joanes II, responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de Salvador (RMS). “Este tipo de projeto utiliza ferramentas técnicas para simular cenários operacionais e climáticos, avaliar riscos e orientar a gestão dos recursos hídricos com maior precisão”, define o biólogo e gerente socioambiental da Embasa, Fabrício Tourinho.
Os principais resultados esperados incluem a ampliação da capacidade de antecipação de eventos que impactam a qualidade da água, permitindo ajustes operacionais preventivos, redução de riscos operacionais e maior eficiência no planejamento das estações de tratamento, além de suporte técnico qualificado para decisões em situações críticas.
Outro eixo estruturante da estratégia de segurança hídrica é a implantação e ampliação da rede de monitoramento hidrometeorológico, com cerca de 60 pontos de coleta distribuídos em diversas regiões hidrográficas do estado. Com aporte estimado em R$ 12 milhões, o sistema permitirá o acompanhamento em tempo real de variáveis como chuva, vazão e nível dos reservatórios, ampliando a previsibilidade operacional e a capacidade de resposta a eventos críticos.
Estratégia prioritária -Além disso, a estratégia contempla projetos voltados à identificação precoce de alterações nos mananciais, contribuindo para ajustes nos processos de tratamento e prevenção de problemas como eutrofização e proliferação de cianobactérias. Também integram o pacote de investimentos ações de diagnóstico ambiental, remediação de reservatórios e projetos de recuperação de bacias hidrográficas, reforçando o compromisso da empresa com a proteção dos mananciais e a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento.
“O fortalecimento da segurança hídrica é uma prioridade estratégica diante do cenário de mudanças climáticas e crescimento urbano, que ampliam a demanda por água e aumentam a complexidade da gestão dos recursos disponíveis. Este conjunto de investimentos contribui para aumentar a resiliência dos nossos sistemas, garantindo a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à população baiana”, pontua o presidente da empresa, Gildeone Almeida.
As ações estão alinhadas ao Marco Legal do Saneamento (Lei nº 11.445/2007), à Política Nacional de Recursos Hídricos e às diretrizes de segurança da água, incorporando a variável climática à gestão dos sistemas e fortalecendo a resiliência operacional. As iniciativas integram o planejamento estratégico da companhia e possuem potencial de ampliação progressiva para toda a sua área de atuação, consolidando a segurança hídrica como eixo estruturante da sustentabilidade dos serviços de abastecimento.
Fonte: Ascom/Embasa