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Inema integra fiscalização e cuidado com animais silvestres na 53ª etapa da FPI/BA

Na 53ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco, no Oeste baiano, a atuação da equipe Fauna tem mostrado que a proteçã...

22/05/2026 15h35
Por: Praiabook Fonte: Secom Bahia
Foto: Matheus Lemos- Ascom/Sema
Foto: Matheus Lemos- Ascom/Sema

Na 53ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco, no Oeste baiano, a atuação da equipe Fauna tem mostrado que a proteção aos animais silvestres vai muito além das apreensões e fiscalizações. Entre visitas a criadouros cadastrados, conversas nas comunidades, ações em escolas e o acolhimento de animais resgatados na base, a educação ambiental tem conectado diferentes frentes de atuação em uma tentativa de transformar a relação da população com a fauna silvestre.

Durante as ações realizadas nos municípios da região, técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em conjunto com especialistas da Animallia Ambiental e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), atuam de forma integrada para orientar, sensibilizar e combater práticas ilegais relacionadas ao cativeiro e ao tráfico de animais silvestres.

Fiscalização e combate ao tráfico

Enquanto uma parte da operação atua na sensibilização das comunidades e escolas, equipes técnicas do Inema coordenam o trabalho de fiscalização dos criadouros cadastrados no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (Sispass). Coordenadora da Fauna de Campo e técnica do Inema, Carla Guimarães explica que as inspeções começam ainda antes das visitas presenciais, com análise prévia dos dados cadastrados no sistema.

“A fiscalização começa no escritório, analisando o sistema e verificando os possíveis pontos de interesse. Em campo, observamos se o plantel informado corresponde à quantidade de animais existente no local, se os animais registrados são os mesmos e se o criador está regular com suas obrigações”, explicou.

Segundo Carla, diferentemente de outras etapas, a equipe encontrou, até o momento, predominância de criadores regularizados nos municípios visitados. Ainda assim, ela alerta para práticas ilegais recorrentes, como o chamado “esquente de anilhas”, quando aves retiradas da natureza passam a utilizar anilhas de animais legalizados que morreram anteriormente.

“O animal silvestre veio da natureza. A falta dele no meio ambiente causa impactos, inclusive diminuição da fauna e até risco de extinção. Muitas pessoas dizem que criam para preservar, mas a conservação não funciona dessa forma”, pontuou.

As ações da Fauna também contam com apoio da PRF, responsável por acompanhar as equipes em campo e atuar em situações relacionadas ao tráfico e transporte ilegal de animais silvestres. Segundo o policial rodoviário federal Uequison, o transporte clandestino de animais silvestres ainda é recorrente na região.

“Os animais são transportados para o tráfico em condições muito ruins, amontoados em compartimentos pequenos, como se fossem objetos e muitos morrem no percurso. Dados da RENCTAS (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres) apontam que de 10 animais traficados, 9 morrem no caminho. Isso configura maus-tratos”, afirmou.

O PRF também chama atenção para o papel da população no enfrentamento ao tráfico. “Muita gente acha inofensivo ter um papagaio em casa, mas quem compra acaba alimentando toda uma cadeia ilegal de tráfico de animais silvestres”, alertou.

Entre as experiências mais marcantes vividas durante as operações da FPI, Uequison relembra o resgate do bugio Chica, durante a 20ª edição da FPI em Juazeiro. “Nós acompanhamos desde o resgate, em 2012, até a recuperação dela. Foi muito simbólico para todos que participaram”, contou.

Conscientização nas comunidades

Além das ações de fiscalização, a equipe Fauna também desenvolve um trabalho de sensibilização junto às comunidades dos municípios visitados. Nas localidades atendidas pela equipe de Entrega Voluntária, o diálogo tem sido uma das principais ferramentas de conscientização.

Coordenador da equipe e presidente da Animallia, Alison Sá explica que o trabalho busca justamente aproximar a população da temática ambiental e incentivar a entrega espontânea dos animais mantidos irregularmente. “Nosso trabalho aqui é trazer informação e educação ambiental para que a população faça a entrega de forma espontânea e voluntária dos animais silvestres. Dessa forma, essas pessoas dão oportunidade e o direito à vida desses animais, a liberdade de poder voar e cumprir sua função na natureza”, destacou.

Segundo ele, as abordagens realizadas diretamente nas comunidades têm gerado resultados importantes durante as etapas da FPI. “A entrega voluntária acontece a partir da conscientização. As pessoas entendem os impactos do cativeiro irregular, se sensibilizam e decidem entregar espontaneamente os animais à equipe. Isso gera um termo de entrega voluntária que reconhece essa iniciativa da população”, afirmou.

Em uma das abordagens realizadas pela equipe, o morador Adeildo Santos decidiu entregar voluntariamente os quatro animais que mantinha em casa após conversar com os educadores ambientais. “Chegou essa oportunidade e agora eu não crio mais nada”, disse ele.

Outra moradora visitada pela equipe, Idaliane Ferreira, também concordou em realizar a entrega espontânea de dois pássaros pretos mantidos pela família após a conversa com os técnicos. “O bichinho tem asa, o bichinho tem que voar mesmo, ficar livre”, comentou ela.

Educação ambiental nas escolas

Mas a conscientização promovida pela equipe Fauna não se limita às visitas nas comunidades. Em escolas dos municípios do Oeste baiano, ações de educação ambiental têm levado palestras, rodas de conversa e exibições do documentário sobre a história de Chica, uma macaca da espécie bugio que foi resgatada durante uma operação da FPI em Juazeiro e que, após um longo período de recuperação, foi reintroduzida na natureza juntamente com sua família.

Doutora em Biologia e integrante da Animallia, Silvilene Matias explica que o trabalho desenvolvido nas escolas busca despertar, desde cedo, a compreensão sobre a importância ecológica da fauna silvestre e o respeito à vida dos animais.

“A gente explica sobre a fauna silvestre, porque esses animais são tão importantes e porque precisamos preservá-los. Não é somente pela importância que eles têm para nós, mas porque eles também têm direito à vida”, afirmou.

Complementando a importância das ações de educação ambiental nas escolas, Alison Sá destacou o papel das crianças na disseminação dessas informações dentro das próprias famílias. “Muitas vezes são os pais e os avós que mantêm esses animais em cativeiro de forma ilegal. Então as crianças hoje são multiplicadores de informação para levar essa conscientização para dentro de casa”, completou.

Cuidado e reabilitação dos animais

Toda essa atuação integrada também se reflete no trabalho desenvolvido pela Fauna Base, espaço responsável por receber os animais entregues voluntariamente ou resgatados pelas equipes durante as ações da FPI. No local, os animais passam por avaliação clínica, manejo e acompanhamento técnico antes dos encaminhamentos adequados.

Somente em um dia de ação, 76 animais chegaram à Fauna Base por meio de entregas voluntárias realizadas durante as ações de campo e sensibilização nas comunidades.Entre as espécies recebidas com maior frequência estão periquitos e papagaios. No total dos três primeiros dias de atuação, a equipe registrou aproximadamente 100 indivíduos recebidos na Base.

Coordenadora da Fauna Base, médica veterinária e integrante da Animallia, Mylla Roberta explica que os primeiros cuidados começam na chegada dos animais à unidade. “Assim que recebemos o animal, fazemos uma checagem para identificar se existe algum machucado, se está muito debilitado ou precisando de atendimento urgente. Muitos chegam fragilizados tanto pelas condições do cativeiro irregular quanto pelo desgaste da viagem e pelo calor. Paralelamente, fazemos o manejo dos demais animais, com oferta de água e separação em salas para a triagem”, explicou.

Segundo ela, a avaliação individual busca identificar não apenas o estado físico, mas também o comportamento dos animais, já que muitos passam longos períodos em cativeiro e perdem características naturais importantes para a sobrevivência na natureza.

“A gente avalia um por um para verificar a condição geral de saúde, se o animal está muito magro, obeso ou com comportamento alterado. Muitos animais criados em cativeiro perdem características naturais e, por isso, não podem ser soltos imediatamente. Os que estão debilitados ou com alterações comportamentais são separados e encaminhados para os Cetas, onde passam por reabilitação antes de uma possível devolução à natureza. Já os animais saudáveis, que conseguem voar e apresentam comportamento natural, seguem para as solturas que realizamos durante a etapa, após estudos que identificam uma área apropriada na região, onde há ocorrência dessas espécies”, afirmou.

Após o atendimento inicial na Fauna Base, parte dos animais seguirá para unidades especializadas de triagem e reabilitação. A atuação da Fauna Base também conta com suporte técnico do Inema, responsável pelos encaminhamentos clínicos e pela articulação com os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).

Segundo a médica veterinária do Inema, Mayara Horn, responsável pelo acompanhamento clínico dos animais recebidos durante a operação, os animais passam inicialmente por avaliação clínica para definição do encaminhamento mais adequado. “Depois da avaliação, alguns animais que foram criados em cativeiro e que não têm condições de soltura imediata na FPI serão encaminhados para os cuidados do Inema, em Barreiras. Atualmente, os animais ainda são recebidos pela Unidade Regional do Oeste, mas já estamos realizando atendimento médico veterinário emergencial no Cetas Oeste também, até que eles possam seguir para soltura ou encaminhamento para outras unidades, como o Cetas de Cruz das Almas ou o Cetas de Salvador”, explicou.

Entre orientações, diálogos, fiscalização e cuidado clínico, a atuação integrada da equipe Fauna, com participação direta dos técnicos do Inema, tem reforçado que a proteção aos animais silvestres também passa pela construção de consciência ambiental dentro das escolas, das comunidades e das próprias casas, onde esses animais ainda são mantidos em cativeiro irregular.

Fonte

Ascom/Inema

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