O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) está apoiando um projeto inovador que busca melhorar a qualidade de vida de pacientes que realizam tratamento de feridas complexas. A proposta é da M2D1, startup de base científica que atua no desenvolvimento de tecnologias voltadas à biossegurança, segurança dos alimentos e saúde.
A tecnologia, chamada BST22, visa auxiliar no tratamento e monitoramento de lesões complexas infectadas por biofilmes, um dos principais desafios clínicos relacionados à cicatrização. O biofilme é uma película protetora formada por uma comunidade de microrganismos, como bactérias e fungos, que se agrupa e adere sobre uma lesão. Presente na grande maioria das feridas crônicas, é a principal causa de resistência a tratamentos com antibióticos e antimicrobianos, e do atraso na cicatrização.
O CEO e fundador da empresa, André Martins Tozello, explica que o conceito do BST22 se baseia na utilização de uma luz especial para auxiliar no tratamento deste tipo de lesão. Segundo ele, assim como a exposição controlada ao sol pode trazer benefícios ao organismo, determinadas faixas de luz podem interagir de maneira positiva com ambientes biológicos.
“Estamos estudando como utilizar essa luz para auxiliar no controle de microrganismos presentes em feridas infectadas e criar condições mais favoráveis para a recuperação do paciente. Esta solução tem potencial para reduzir internações prolongadas, complicações clínicas, amputações e a utilização excessiva de antimicrobianos, especialmente em pacientes com diabetes, doenças vasculares e outras condições que comprometem o processo de cicatrização”, diz o empresário.
O projeto ainda prevê recursos digitais e inteligência artificial para apoiar o monitoramento das feridas ao longo do tratamento. Dessa forma, profissionais de saúde poderão acompanhar a evolução do ferimento por meio de imagens, dados clínicos e ferramentas de inteligência artificial.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, destaca que, por meio da atuação da incubadora tecnológica, o Paraná tem estimulado empresas e empreendedores que precisam transformar pesquisas e ideias inovadoras em negócios sólidos. “Com a visão de promover a inovação e contribuir para melhorar o ambiente competitivo das empresas, o Tecpar compartilha sua infraestrutura e know-how científico, tecnológico e operacional para apoiar projetos promissores, em especial aqueles que têm a tecnologia como base do desenvolvimento de seus processos e produtos”, ressalta ele.
BIOSSEGURANÇA NO AGRONEGÓCIO– Selecionada no atual edital de incubação da Intec, a M2D1 também desenvolve um segundo projeto com o apoio Tecpar: a tecnologia FS22, voltada ao agronegócio e à indústria de alimentos.
De acordo com André Tozello, a proposta visa aumentar a biossegurança e a qualidade dos alimentos ao longo da cadeia produtiva. O objetivo é ajudar produtores e empresas a reduzir contaminações que podem comprometer os alimentos durante etapas como armazenamento, transporte e processamento. Além de gerar impactos econômicos expressivos, esses problemas podem afetar a competitividade das empresas ao longo de toda a cadeia agroalimentar.
“Imagine uma cooperativa armazenando milhares de toneladas de grãos após a colheita. Durante o armazenamento, podem ocorrer contaminações microbiológicas que afetam a qualidade do produto, aumentam perdas e reduzem seu valor comercial. O FS22 está sendo desenvolvido para ajudar a reduzir esses riscos microbiológicos, aumentar a biossegurança dos processos, preservar a qualidade dos alimentos e reduzir perdas pós-colheita”, ressalta.
Do ponto de vista ambiental, a solução tem potencial para reduzir a dependência de agentes químicos, otimizar o uso de recursos e promover processos mais sustentáveis, alinhando inovação tecnológica, produtividade e responsabilidade ambiental. Isso contribui para sistemas alimentares mais seguros, eficientes e sustentáveis, gerando benefícios econômicos para produtores, indústrias e consumidores.
APOIO TECNOLÓGICO– O empresário conta que a ideia dos projetos surgiu a partir da identificação de problemas recorrentes relacionados à contaminação microbiológica em diferentes cadeias produtivas e ambientes críticos. Motivado pela trajetória reconhecida da Intec no apoio à transformação de pesquisa em inovação de mercado, ele inscreveu suas propostas no edital da incubadora.
“O apoio do Tecpar representa um importante diferencial para uma empresa de base científica como a M2D1. O principal objetivo desta parceria é fortalecer o processo de maturação tecnológica das soluções em desenvolvimento, ampliar a rede de colaboração e acelerar o caminho entre pesquisa, validação e mercado, contribuindo para a industrialização e futura adoção em larga escala”, pontua.
Ele enfatiza que além da infraestrutura e do ambiente de inovação, o Tecpar reúne competências técnicas, científicas, regulatórias e de mercado que contribuem para reduzir riscos tecnológicos, acelerar o desenvolvimento das soluções e ampliar as possibilidades de validação em condições reais de aplicação.
“Acreditamos que o Paraná possui potencial para se consolidar como uma referência nacional e internacional em áreas estratégicas como saúde, biotecnologia, biossegurança, inteligência artificial e sustentabilidade. A experiência junto ao ecossistema paranaense reforça nossa convicção de que a inovação acontece de forma mais efetiva quando empresas, institutos de pesquisa, universidades e governo atuam de maneira integrada”, afirma.
EDITAL ABERTO– A Intec segue com edital aberto para novos ingressos de empresas ou startups no seu programa de incubação. O objetivo é selecionar empresas de base tecnológica que tenham propostas de produtos, serviços ou modelos de negócio inovadores. Para se candidatar a uma vaga, os participantes precisam demonstrar inovação em seu projeto, conforme critérios que serão avaliados por uma banca examinadora. O edital pode ser consultado AQUI .
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