O avanço das investigações sobre a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis em São Paulo evidenciou a importância da atuação conjunta entre forças estaduais e federais para desmontar estruturas criminosas cada vez mais sofisticadas. A Operação Fluxo Oculto , realizada nesta quinta-feira (28), é resultado direto do trabalho integrado entre órgãos de segurança pública, fiscalização tributária e controle financeiro, que atuaram no rastreamento de movimentações suspeitas, identificação de empresas de fachada e descoberta de um complexo ecossistema de lavagem de dinheiro.
Ao todo, a operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão, sendo 42 no estado de São Paulo e os demais no Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
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Por parte das forças de segurança paulista, participaram da ofensiva 18 delegados da Polícia Civil e 176 policiais militares. Também atuaram 87 promotores de Justiça e servidores, 38 auditores fiscais, além de 10 fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e outros 135 da Receita Federal.
“Nunca vi em toda minha carreira tantas operações conjuntas como temos feito ultimamente. Essa parceria só tem a acrescentar não só nos trabalhos de combate ao crime organizado, mas também mostra à população a extensão dessas ações, investigações e fiscalizações para impedir que essas quadrilhas escondam os recursos ilícitos em negócios aparentemente lícitos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, durante coletiva de imprensa.
As apurações começaram a partir da identificação de fraudes ligadas ao mercado de combustíveis, mas ganharam proporções maiores à medida que os investigadores passaram a cruzar informações fiscais, bancárias e financeiras. O trabalho conjunto permitiu revelar como organizações criminosas utilizavam instituições de pagamento, distribuidoras, empresas de investimento e postos de combustíveis para movimentar recursos ilícitos e ocultar patrimônio.
Segundo os investigadores, a atuação integrada dos órgãos foi fundamental para compreender a estrutura financeira utilizada pelo bando. Enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público aprofundaram as investigações criminais e o rastreamento dos envolvidos, a Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP) atuou na identificação de irregularidades fiscais e movimentações incompatíveis com as atividades declaradas pelas empresas.
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Já a Receita Federal e a Procuradoria Geral (PGE-SP) auxiliaram no cruzamento de dados financeiros e patrimoniais, enquanto a ANP contribuiu tecnicamente nas análises relacionadas ao desvio de produtos utilizados na adulteração de combustíveis.
“Foi uma operação de intensa cooperação interfederativa e interinstitucional. Conseguimos desvendar essa arquitetura financeira de lavagem de dinheiro e atacamos o pilar financeiro dessas organizações criminosos”, destacou o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
Uma das frentes da investigação revelou a existência de fintechs utilizadas como “bancos paralelos” da organização criminosa. As instituições de pagamento eram usadas para compensações financeiras internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de pagamentos de operadores, movimentação de investimentos e ocultação da origem dos recursos.
Outra linha investigativa identificou o desvio de nafta petroquímica para abastecimento irregular de terminais e postos de combustíveis. As análises apontaram o uso de empresas-fantasma para simular operações comerciais e dar aparência de legalidade às transações envolvendo solventes utilizados na adulteração de combustíveis.
Até o momento, as equipes apreenderam 26 celulares, 10 computadores, além de R$ 352,1 mil em espécie, US$ 59,2 mil, € 12,4 mil e outras moedas estrangeiras que totalizam mais de 60 mil unidades.
De acordo com as autoridades, a operação representa mais uma etapa do aprofundamento investigativo sobre os mecanismos financeiros que sustentam organizações criminosas e garantem a expansão de atividades ilícitas em setores estratégicos da economia formal.
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